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O NET SUBLIMINAR-TELEMÁTICO
Após dez anos pesquisando, eu fiquei curioso sobre os efeitos da tecnologia subliminar e coloquei em prática um projeto de pesquisa em computador ligado à rede, usando sistema brasileiro VIDEOTEXTO (VDT) via EMBRATEL.
O VDT (chamado Minitel, na França) é um sistema de comunicações telemático (combinação de Telecomunicações com Informática), que emprega a conexão intermídia telefone-computador-televisão para o envio de mensagens visuais.
Criado na Inglaterra (onde é chamado de Teletext) pelo engenheiro Sam Fedida em 1972, o sistema VDT foi simplificado e popularizado na França em 1978, sendo posteriormente implantado no Brasil em 1982.
A principal característica do VDT é a possibilidade de interatividade, de obter respostas dos usuários através de diálogos, rompendo o monólogo dos meios de comunicação de massa convencionais. No VDT, há a possibilidade do usuário intervir diretamente na mensagem que recebe, on line, via rede.
Esta característica, porém, é pouco explorada no Brasil, onde o sistema é mais ''lido'' como jornal eletrônico, havendo poucos programas realmente interativos além dos famosos Videopapos, serviços multi-usuários que permitem bate-papos on line.
No Laboratório de Telemática da UNISANTOS (Universidade Católica de Santos), coordenado pelo Prof. Sílvio Ênio Bergamini Filho, houve até 1995 uma emissora-Fornecedora de Serviços (FS), subordinada à TELESP, que distribuía vários tipos de serviços/mensagens para terminais de VDT domésticos e empresariais ao nível nacional.
Dentro do espaço editorial do programa Videozine, editado por Paula Prata Vandenbrande, preparei um projeto de instalação de subliminares, que foi aprovado pelo Coordenador Bergamini e posto no ar em março de 1991.
O objetivo deste programa era conseguir que o usuário respondesse aos estímulos do programa, via teclado, aumentando sua interatividade e tirando-o da passividade apática, monológica, comum aos usuários do sistema.
O usuário, dispendendo mais tempo em suas respostas, conseqüentemente aumentava a audiência, que era medida por número de acessos, e assim o lucro da Universidade.
A metodologia usada foi a criação e adaptação da tecnologia subliminar para o software francês.
Estimava-se, ao final do experimento, um aumento de 10% (dez por cento) de acessos.
Entre outras técnicas, desenvolvemos a tritela, que consistia numa tela tripla (três varreduras de página seguidas) na qual o subliminar piscava durante a construção (varredura) da tela. Outro dos efeitos subliminares obtidos foi o flicker (efeito pisca), além da diagramação com cores complementares e textos blocados segundo a orientação dos hemisférios cerebrais dos usuários.
Foram usadas como subliminares frases como ''Reaja'', ''Digite-me'', ''Toque-me'', de modo que ficassem praticamente imperceptíveis ao usuário.
O número de respostas obtido foi enorme. O programa Videozine tornou-se um ''Mural Eletrônico'', editando material enviado espontaneamente pelos usuários, a ponto de ser preciso triplicar o espaço de memória do programa, gerando imitadores em emissoras concorrentes.
Ao final do primeiro mês de uso intensivo de subliminares, a TELESP registrou um aumento de acessos da ordem de 90% em relação ao mês anterior(Fonte: Relatório Estatístico TELESP do Videotexto do Brasil, março a maio de 1991).
Foram superados os objetivos, pois o aumento final de acessos foi da ordem de 550% em relação aos meses anteriores, ultrapassando a estimativa de 10% (objetivo do experimento).
O sistema VDT da UNISANTOS tinha 200 acessos por mês em fevereiro/91, e em abril contava com 1.100 acessos mensais, número mantido em maio do mesmo ano, provando estatisticamente o poder dos subliminares.
Para conhecer maiores detalhes sobre a experiência, consulte o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Paula Prata Vandenbrande, 1991, arquivado na Faculdade de Comunicação da UNISANTOS (curso de Jornalismo), que documenta com ilustrações e disquetes todas as etapas da experiência.
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